terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O gesso e os dias

Ela acorda muitos dias com as pernas e os braços e o pescoço envoltos em gesso. O gesso que colocam às pessoas e aos animais quando partem uma perna, um braço, um tornozelo ou um pé. É uma sensação estranha, desconfortável – diz-me ela. Mas eu não a entendo. Por mais que queira não consigo imaginar como é acordar com o corpo como se vê nos filmes cómicos: um corpo estendido sobre uma cama de hospital, um corpo envolto em gesso, todo partido, apenas os olhinhos à mostra e a única e extraodinária capacidade de beber por uma palhinha…!

O mundo dá muitas voltas – dizem –, mas quando ela está assim, não há volta a dar. A solução é ficar ali, parada. E esperar que o mundo dê as suas voltas. Há pelo menos a compensação de que o mundo lá fora avança e dá voltas – como se diz. Ou, pelo menos fica o desespero de saber que o mundo lá fora avança e ela nada pode fazer ali parada envolta em gesso até ao pescoço e a beber café por uma palhinha.

Somos uns seres estranhos: corajosos ou inconscientes?

Acordamos todos os dias sabendo que podemos morrer ou que pode morrer alguém que amamos. Quem mais tem esta capacidade? (os animais, acho que não têm…) Como é que conseguimos acordar todos os dias, tomar banho, lavar a cara, vestirmo-nos, sair para a rua, ir trabalhar, fazer comprar no supermercado, sorrir, viver, quando sobre nós paira a mais estranha e cruel certeza: a morte.

Isto faz de nós seres extremamente corajosos ou absurdamente inconscientes. Ainda não tenho a resposta. Mas fico a pensar no assunto. Ah, se fico:)...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O ano 2011 tem de ser melhor do que 2010

Começar o ano a cantar...deve ser bom sinal. Passar por maus bocados no ano de 2010...deve ser bom sinal. Bom sinal porque nem tudo fica mal o tempo todo, não é?!!! É!!!!!!

Estou optimista.

Mais uma música linda

So am I
Good or bad
The way that things did turn out
I did only make you sad

And we cried and we cried
On the phone
Oh, but in my mind
You were never that all alone

Oh, you were majesty
Your roads were heavy
And your longing was cut from bone

So am I
Am I good or bad
Could only awake your anger
I could only make you mad
Now was that how you showed me
That you were still so young and bold
Anyway those fights did drive me
And I was dying of thirst and I wasn't growing old

Oh, you were majesty
Your ropes were heavy
And your roads were very cold
Oh, oh, oh, majesty

But in my mind
I could still climb inside your bed
And I could be victorious
Still the only man to pass through the glorious arch of your head, o-oh

Oh, you were majesty
Your ropes were heavy
And your cheeks were very red

Oh, you were majesty
Now it's like I said
That spirit, it's now dead

domingo, 19 de setembro de 2010

música por causa de um filme

Hoje, depois de ontem ter ido ver um dos melhores documentários realizados por um português - Ruínas - de Manuel Mozos, só me apetece ouvir música. E por que não partilhá-la?!

Do documentário - pleno de planos fichos - ficaram duas imagens poderíssimas: a do Sanatório da Serra da Estrela (LINDO!) e a das Minas de S. Domingos (POÉTICAS). Tenho de as ir visitar um dia.

Também ficou uma história de amor: a da Henriqueta e da Etelvina. Macabra, forte, estranha.

Ainda sobre o documentário, o realizador seleccionou espaços em Portugal (de Norte a Sul) que estão abandonados ou assim parecem (o caso do Museu Barco bacalhoeiro não está, supostamente, abandonado) mas que ainda assim conseguem contar as histórias das pessoas que os habitaram.

Manuel Mozos encontrou mais de 400 espaços abandonados no nosso país (hospitais, hóteis, pensões, sanatórios, colégios, restaurantes, minas...) mas na impossibilidade de os mostrar todos em 60 minutos, teve de escolher, e pelo que vi, escolheu muito bem. O documentário é lindo e apesar de só haver imagens de abandono, o filme está cheio de vida: a vida que ocupou todos aqueles espaços.

(Für Alina - Arvo Part) eu sei que é para a Alina, mas eu acho que é para mim...)