segunda-feira, 14 de março de 2011

(diálogo a solo)

Como é possível estar a viver sem rumo quando ele está mesmo à minha frente? Também não sabes? Eu acho que sabes. Vá...diz-me lá...Eu acho que sabes. Por que dizes isso? Eu não sei se é assim. Mas, por que razão dizes isso?... Sim, contigo foi assim; comigo, acho que não será. Também não te entendo. O que perguntas? Não sei. Não sei o que te responder quando me fazes essas perguntas. Acho que tens razão em algumas das coisas que dizes, noutras não te quero dar razão. Até te poderia dá-la mas agora não quero. Não é bem não querer; a questão é que agora não posso. É por isso que consigo viver com um rumo incontrolável e vê-lo estampado à minha frente. No espelho? Foi espelho que disseste? Não, não é no espelho. É na sombra que ensombra os dias. É na sombra que me acompanha mesmo quando não quero, tal como o rumo que se traça mesmo sem ser pela minha mão. Olha, a propósito de sombra, recordas o que me contaste naquele dia na praia? Não, não foi isso. Não te lembras? Estávamos na praia, a maré estava cheia, calor, gente e ficámos deitadas à sombra a tarde quase toda. Sim, nesse dia. Pois, contaste-me o que se passou e quero que saibas que tal como me pediste mantive segredo. Espanta-te isso...estou a ver. Eu mantive o segredo. Aliás, tenho defeitos mas tenho essa (grande) qualidade: guardo para sempre um segredo. O de toda a gente, não só os teus. Que bom para mim? Acho que sim. Pois, e o que fizeste em relação a isso? Que bom, para ti. Eu não tenho feito nada de jeito. É como te digo, estou a viver o rumo que traçaram por mim.