quinta-feira, 3 de abril de 2008

AR - part II

Tal como disse da última vez, que me sentei aqui a escrever, viver com uma doença crónica não é das coisas mais fáceis de fazer. Também tal como referi, esta condição só surgiu quando eu já tinha 25 anos, o que implicou que eu tivesse de reaprender a viver. Sei que todos nós vivemos acontecimentos que nos fazem ver a vida de modo diverso daquele que víamos antes de uma circunstância qualquer vir abalar tudo o que conhecíamos e tinhamos como certo e seguro. E, na verdade, quando ficamos doentes é também isso que sucede. Começamos a ficar doentes e tudo muda. Mas ao mesmo tempo o mundo não muda só porque nós mudámos e na maioria dos casos somos nós que nos temos de adaptar. Temos de nos adaptar ao trabalho que faziamos antes de ficarmos doentes porque o trabalho ficou exactamente igual e fomos nós que mudámos. Temos de nos adaptar à família que já tinhamos. Temos de nos adaptar à casa que haviamos comprado antes da doença aparecer. Temos de nos adaptar, ponto final. No meu caso, este ajustamento foi, relativamente, natural. O que não significa que não tenha havido um grande esforço meu para que tudo tenha sido, tal como afirmei, progressivo e natural. Porque na verdade, o meu aspecto exterior mantinha-se e manteve-se, fundamentalmente, igual àquele que tinha antes de tudo acontecer. E como quem me via, via-me igual, isso obrigava-me, no sentido mais positivo da palavras, a agir do modo que sempre agira. Por vezes, isso cria uma espécie de dupla personalidade - mas provavelmente podemos encará-la como apenas mais uma das máscaras que colocamos em sociedade.

3 comentários:

Ica disse...

Lindo amiga, embora não tenha sido a doença que me fez ver as coisas de forma diferente ou das mesma forma, tu sabes o que foi.
Continua e força

CF disse...

Amiga,

Estou consciente das tuas fragilidades (e também tenho as minhas), e estou sempre disposta a dar-te uma mãozinha, sem necessidade de que ponhas qualquer máscara.
Mas também sei que tu és e serás sempre muito mais do que a tua doença, não é ela que te define.
Não significa isto que tenhas que a aceitar resignadamente com o "há coisas piores" que começas a detestar, mas que saibas, sempre, que o ser humano de que tanto gosto está lá independentemente do rótulo, seja "professora", "carpinteira", "do Benfica", "do Sporting", "branca", "amarela", "saudável", "doente", etc, por muito melhor que seja ser rica, saudável e com cabelo ;-)
Um beijinho

LuzAzul disse...

Já entendes por que precisavas de ter um blog?
Como é importante nós, os leitores, termos acesso aos teus textos íntimos e reflexivos para que te possamos conhecer ainda melhor.
És linda!