quinta-feira, 18 de julho de 2013

Quando não se sabe que o céu pode ser ainda mais negro

Quando a Ema estava bem (embora não o soubesse ainda), tinha horas e dias e semanas que lhe pareciam ser muito, mas mesmo, muito difíceis. Achava que muitas coisas eram injustas, que o céu era negro, o ar pesado, enfim, tudo muito incómodo. Mais tarde, quando, de facto, tudo piorou, e a realidade ficou mesmo mais intensa, áspera, amarga, a Ema teve saudades das horas, dos dias e dos meses de antes. As horas, os dias e as semanas que lhe pareceram, através das lentes de olhar o passado, horas, dias e semanas leves e suaves e, até, bons.

Agora, Ema deita a cabeça na almofada (mesmo à beirinha da almofada, pois não gosta de sentir o pescoço elevado pela esponja ou pelas penas do que está coberto pela fronha) e pensa: como pude ser tão cega? Se tudo pode mesmo piorar de um momento para o outro, por que razão não fui mais sábia e aproveitei os momentos que pensava já serem os mais ásperos? Por que razão? Why? (ela, frequentemente, tem pensamentos bilingues). Neste momento, até tem um sorriso nos lábios, pois pelo menos tem consciência da sua estupidez. Este não é o primeiro episódio no qual a Ema se apercebe de como é estulta, é só mais um. Um de muitos, com certeza, e disso está ela bem consciente. Ao contrário dos dias anteriores, dos dias de há uns meses, nos quais ela poderia ter sido mais leve e feliz e não foi. Vamos ver se é desta que aprende a lição. The lesson. Oh Yeah.

2 comentários:

LuzAzul disse...

Na verdade todos nós, seres humanos temos essa característica, a da insatisfação.
Apenas quando passamos pelas coisas que na verdade e verdadeiramente nos fazem doer e nos magoam é que percebemos como andámos distraídos quando não tínhamos nada que nos preocupasse, que nos doesse ou mesmo quando éramos felizes e julgávamos que aquilo que sentíamos ainda não era a felicidade. Quantas e quantas vezes a podíamos ter agarrado e usufruído desse bem estar e dessa sensação de estar feliz ( alguns momentos!!) e a deixámos fugir, pois não sabíamos o que era e é a verdadeira infelicidade. A tua Ema tem razão , pois nunca estamos verdadeiramente despertos e acordados para receber a felicidade, que chega pé ante pé, devagarinho e de mansinho e por vezes deixamo-la partir sem a segurarmos... adoro-te

Unknown disse...

Ritinha
É a primeira vez que aqui venho pois nem sabia de teres um blogue. Escreves muito bem. Gostei muito do texto.
A tua mãe agora também nos pôs a escrever e é uma torrente. Difícil é parar.
Por enquanto tenho apenas uma escrita descritiva pois sou muito prática pouco dada a grandes voos.
Agora resolveu criar um blogue e já publicou uns textos meus.
Podes dizer-me o que pensas daquilo.
Bjs para ti, minha querida